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MATÉRIA


PESQUISA DE DOUTORADO AVALIA A MICROBIOTA INTESTINAL DE VEGETARIANOS E SUA RELAÇÃO COM O PERFIL CARDIOMETABÓLICO





Matéria inclusa por Lana Claudinez
Uma tese de doutorado defendida na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, avaliou a microbiota intestinal de vegetarianos e mostrou uma relação relevante entre a alimentação humana e a predisposição a doenças cardiometabólicas. Foi analisada a composição da microbiota intestinal de indivíduos vegetarianos estritos, ovo-lacto-vegetarianos ou onívoros, associando o perfil da microbiota a marcadores de inflamação subclínica e de resistência à insulina. Foi analisada a microbiota presente nas fezes coletadas pelos participantes e os resultados indicam que os vegetarianos apresentaram uma colonização bacteriana mais favorável, que influencia no perfil de risco cardiometabólico.

Segundo o estudo, indivíduos com maiores concentrações de bactérias do gênero Akkermansia muciniphila, têm melhor metabolismo da glicose. Também foram identificados agrupamentos de bactérias designados enterótipos, que apresentaram correlações com hábitos alimentares e concentrações séricas de lipídios. Indivíduos com o enterótipo 2, predominantes no grupo de vegetarianos estritos, apresentaram menores concentrações séricas de colesterol LDL e aumento dos níveis de HDL. Os resultados dessa pesquisa são coerentes com a importância de uma alimentação saudável rica em verduras, frutas e legumes na regulação da composição da microbiota intestinal.

O estudo sugere ainda que a dieta dos onívoros, com consumo frequente de produtos de origem animal, possa afetar de forma negativa a composição da microbiota intestinal. Os dados sugerem uma possível relação entre a microbiota intestinal e a predisposição a doenças cardiometabólicas, no entanto, novos estudos precisam ser desenvolvidos visando acompanhar a microbiota intestinal de pacientes vegetarianos ou não, verificando sua evolução e modificações com o decorrer do tempo.


A tese “Análise da microbiota intestinal em adultos com hábitos alimentares distintos e de associações com a inflamação e resistência à insulina” foi desenvolvida pela doutoranda Ana Carolina, Nutricionista, orientada pela professora Sandra Roberta Gouvea Ferreira Vívolo, do Departamento de Epidemiologia da FSP, e coorientada pela professora Bianca de Almeida Pititto, do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


Nota: O presente estudo representa uma evolução para as pesquisas relacionadas à microbiota intestinal, pois é inovador na tentativa de caracterizar a dieta de vegetarianos estritos, parciais ou não vegetarianos quanto ao perfil cardiometabólico e compará-las entre si. Dados iniciais sugerem diferenças importantes na microbiota, conforme o hábito alimentar. No entanto, novos estudos precisam ser desenvolvidos de modo que os participantes sejam acompanhados por períodos prolongados para verificar a evolução e comportamento da microbiota intestinal. Até lá, a maior dica é aumentar a ingestão de alimentos moduladores da microbiota intestinal como aqueles ricos em fibras, vitaminas e minerais e procurar um acompanhamento nutricional para modificações na qualidade da alimentação diária e nas condições de saúde e nutrição.


Fonte: http://www.asbran.org.br/noticias.php
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